Marquesa Branca D'Abadia



Ela me dá uma saudades... todas as vezes que saio de cena, tenho uma vontade imensa de voltar e vivê-la mais um pouco.

Ufa! Apenas 10 dias...

Ufa novamente. Que fase dura que tenho passado. É uma dureza boa...rs
Aliás coisa mole só o meu travesseiro e o coracão do meu amor e dos meus amigos.
Falando sério, estou emocionada porque falta apenas 10 dias para a estréia de uma obra-de-arte que ajudei e ajudarei a esculpir até o fim... Éhhh meu caro Watson, quem diz que vida de artista é fácil é quem não é e não convive com um. Posso responder com toda a honestidade do mundo: "NAO. NAO É FÁCIL". Mas é um ENORME PRAZER. Essa entrega, essa doação só pode ser o que dizem por aí que é amor.

Hoje estou um bagaço. Porque além do teatro, tenho outros trabalhos que realizo como atriz, além disso tenho 30 alunos, 5 professores, 1 marido, pais, irmãs, amigos...enfim, tenho a certeza que não estou sendo 100% em quase nada. Me esforço, porque amo muito tudo isso. Amo mesmo. Amores, meus amores, me desculpem a ausência. eu sei que até parece displiscência, mas não é. É apenas uma fase de entrega a um grande amor.
Podem ter certeza que vocês fazer mais falta para mim do que eu para vocês.

Bom, na verdade eu entrei aqui porque precisava desabafar...desabafar, porque estou muito emocionada. Emiconada em perceber que mais um processo está chegando ao fim. Que um muito de mim, um muito do meu tempo, daqui a 10 dias mudará. Tudo o que eu trabalhei, suei, ri, chorei estará sintetisado em uma obra de arte: "Auto da Barca do inferno - O Duelo". Este será uma parte do perdão que peço aos meus amores. Este espetáculo é também para vocês, meus amores. Tenho certeza que quem compartilhar comigo, com meu grupo, sentirá grande parte das emoções, alegrias, dores e amores que passamos nestes últimos 8 meses.

Éhhh, novamente nasço e morro. Morro e nasço. É o eterno antagonismo e contradição do prazer e da dor. O eterno nascer e morrer, morrer e nascer... Quando penso que daqui a 10 dias toda minha rotina mudará novamente e que àqueles momentos, àqueles 8 meses se foram e não voltam...................... dá um vazio. Dá um medo. Um gelinho na espinha... É ruim e bom.

Éhhhh Caroline, o que está por vir eu não tenho como saber, mas tenho certeza que será uma colheita generosa.

Obrigada meu Deus!

Deixa eu dormir Daniela Rocha...

Boa noite.

Beijos

Dani Rocha

Gigante Coração

Quanto cabe dentro de um coracão? Quantos momentos, amores, amigos, sensações, quanta vida cabe dentro de um coração? Acredito que esta casa, chamada coração, não tem limites, apenas prioridades. Minha casa é Gigante Coração. Com certeza sempre cabe mais um, mas sempre alguém, algo, fica para fora, ou à porta, à janela. É, meu coração é Gigante, mas tem limite. Será que é mesmo tão grande?

A capacidade de amar, está ligada à capacidade de olhar algo e sempre este algo lhe parecer novo, surpreendente, fantástico, apaixonante... É impossível não entender que o pasmo é essencial à vida, à renovação do amor, à reforma da casa. É certo que nem sempre nos supreendemos positivamente com o que está sendo observado e amado. Faz parte. Coisas do coracão. Afinal, será que é tão grande?

As vezes, confesso, tenho dificulade em posicionar todos os "móveis", tenho que utilizar do manual da razão, porque a casa só de coração não sobrevive. É como dizem: "não existe amor de cabana" (será?).

A casa coração, para mantê-la gigante, deve ter a bagunça essencial, àquela bagunça que só a gente entende. Não dá pra ninguém por as mãos, querer ajudar a arrumar. Só Deus sabe o tamanho da bagunça. Tudo bem. Ele pode. Peço sua ajuda constantemente. Afinal, neste caso, Ele faz parte da minha faculdade da razão.

É, não é fácil ter Gigante Coração. Dói, machuca, maltrata, mas depois sempre me transformo e me renovo. Quanto maior, mais díficil organizar. Mas existe uma medida que compensa: o prazer. Considerando que a proporção da dor é a mesma do prazer. Prefiro que assim seja.

Mas por que falar disto? Ah, para entender como esta casa está organizada hoje. Deus me ajude... Talvez trocar o coração seja melhor, mais fácil... Será que dá?

Então, Deus, me dá um novo coração...?

Beijos e boa noite,

Daniela Rocha

E se as mulheres dominassem o mundo?

Caros,

Segue uma crítica, um texto, sei lá... uma reflexão "profunda" sobre o assunto.

Muito bom. Leiam o texto abaixo, não é porque foi meu marido quem escreveu. É porque é realmente genial...

Boa noite.

Beijos

Dani Rocha


By Ella Vangloria, Is Vanity Fair?, June, year 2222 - Express Edition


200 anos após a extinção do homem, a Mulheridade celebrava o seu apogeu. Já não se viam mais estádios de futebol, tampouco cervejas Duff espalhadas pela sala. Nem mesmo o tendencioso Museu de História Natural de Londres, notadamente conhecido como um reduto andrógeno, sequer continha mais em seu acervo a famosa coleção de cuecas Brakes for rules, bikes and shits like that de DicK Le Cock [um dos últimos ativistas do F.A.L.I.C. (Females Are Lost in Control), grupo de notável resistência que se refugiava em barracas armadas e batalhava pelo endurecimento da luta na sobrevivência do sexo masculino e, por conseqüencia, do sexo em geral].

Anos e ânus se passaram e a Mulheridade viu a falência da Bayer (principal vendedora de analgésicos do planeta), celebrou a morte do Corinthians por total falta de torcedores (Rebatizado como Cana FC, anos mais tarde, por ex-presidiárias), fez carreata com os inofensivos sãopaulinos e aplaudiu o surgimento das famosas Penal Colonies, centros de reprodução individuais e customizados com Penal Shots para a produção em série de novas seres-mulheres com chips de cartão bradesco no lugar de seu ultrajado sistema neuro-encefálico.

Ali, na Penal Colony, em poucos anos, o novo gadget da Apple o iAmcoming (sigla para i-artificial method for core mixing in genetics), o vulgo consolo, erigiu-se como objeto de desejo tão cobiçado quanto uma hora no Jaqueline-Janine ou um cartão No Limits da AmericanWomanExpress. "Reinventou-se a vagina e seus desejos de consumo." Declarava St.Eva De Blou Jobs, tida como a mãe da Apple. (Apple, por sinal, tornou-se um grande símbolo do poder da mulher sobre qualquer homem. - Assim como Eva assumiu o lugar de Zeus dentro da mitologia (que 100% das mulheres considerava uma novela que passava na Sony, segundo a Revista Marie Quer Porque Quer!). O pior: Hommer tornou-se o pior xingamento que alguma mulher poderia sofrer.)

Foi difícil, pode-se dizer que foi duro para a Mulheridade, perceber a virilidade da nova invenção. Em poucas semanas, a ingênua Apple se viu obrigada a abrir as pernas para o mercado. Lançou o software iMarta, um guia interativo sobre a vagina 3.0. Apesar de o sotware inundar túneis como as águas cândidas de um rio, as mulheres queriam mais. Lançaram o iFucker 200-Relax and Fly, mas suas vendas provocaram quedas vertiginosas nos índices macroeconômicos do mercado de iErection. Houve ágio sobre os produtos iCare, iDon't Care e iAmnotsure. Coincidentemente a venda dos ultrapassados taiêr disparou. Várias bolsas ao redor do mundo quebraram: Louis Vuitton, Victor Hugo, Cartier, Bennetton, Armani e até mesmo as da Maria Bonita coleçao-feiras. Foi um horror gente!!!!

A Mulheridade recomeçava a flertar com um novo futuro: o de ir pro cacete. Lutar por um desejo reprimido, uma necessidade de auto-conhecimento e de preenchimento do vazio interior. Mas, antes disso o pânico tomou conta da mulheridade: uma barata cruzou a quinta avenida. Plash. Acabou o pânico rapidamente, pois o costume de não saber dirigir fez com que uma mulher atropelasse a barata. Todavia a histeria imperava. Balzaquianas devoravam Freud. Mas o pânico subitamente virou nojo. Tamanha descarga emocional provocou um raro, mas não incomum, efeito colateral, quase extinto na evoluida primata Madre-sapiens-homo-nec-sapiens: a temida Chico (changes in controlling), vulgarmente chamada de sangue primitivo ou TPM (Total predisposition for madness).

Contudo a mãe-natureza é sábia. E no caso de tantas filhas solteiras, agilizada também. Providenciou tudo o que estava ao seu alcance e fez evoluir do macaco a versão DOS 1.0 do homem: o Homo-erectus-II. No fundo ou na frente, era o que realmente importava. A Mulheridade de bosques com mais vida e com seios cheios de amores e silicones precisava mesmo era de uma clava forte. E como no solo ou na cama sempre foi filha de mãe tão gentil, não negou suas raízes. Fulgurou o florão da américa, toda iluminada. E, feito diabo, vestiu prada.

Depois de tantas eras geológicas, findou-se a mais efêmera de todas, a era do Comunismo de Mastercard, a era do esquizofrenozóico, com mezozóico indiano na sala, jurássico-rústico no quintal e paleozóico brilhante no pescoço. Findou-se a era da Mulheridade. O recém-renomeado e reerguido Hommer-Erectus triunfava novamente. Mas um mistério rondava a cabeça das redominadas sub-hommer-obligatio-dandi-ad-erectus. Não, não era "onde eu pus a chave do carro?". Não, não era "que roupa eu ponho hoje?". Lideradas por Margareth Tatcher, Rita Cadillac (pra chamar a atenção), Gretchen, Xuxa, Joana Darc (inseparável de sua espada), Hilaria Clinton, Lilian Ramos, Rosemary Fogueteira, Carlota Joaquina e outras expoentes de significância social, as partidárias do PAUBRASIL (partido das autoridades em Utererê do Brasil), cantou em uníssono uma canção ao som do trio andro-elétrico de Ivete Sangalo: "Minha pequena Eva, (só as biscates: EVA!!!) o nosso amor na última astronave (EVA!!!) assim no infinto eu vou voar sozinha com você ...". Estava lançado o zigoto para a continuação da história. Por isso, vai já pra cozinha, liga a TV, fofa, e não perde as cenas do próximo capítulo. Porque hoje eu não conto o resto, nem que a clava tussa.

"qualquer coincidência de nomes ou fatos é mera casualidade ou plágio descarado"

Mau

Pensar em nada

Hoje, dia lindo. Agora 2h da manhã, noite linda...

Estava aqui sem pensar em nada, peguei um livro do Pessoa e a primeira página que abri, falava do bem de não pensar em nada.
Aí pensei: "Vou escrever no meu blog. Apenas digitar, sem pensar, apenas transcrever, sem julgar, apenas, colocar palavras e não pensar..."

Nem pensem, leiam Pessoa...

Boa noite.

Beijos

Dani Rocha

Não estou pensando em nada
E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o Verão quente do dia,

Não estou pensando em nada, e que bom!

Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada.
É como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas,

Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada...

06/07/1935 - Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

Sobre a Vida e a Morte

"O medo da morte, no homem, é a compreensnao de seus pecados.

Quanto mais espiritual o indivíduo faz a sua vida, menos medo ele terá da morte. Para uma pessoa espiritual a morte significa libertar o espirito do corpo. Tal pessoa sabe que as coisas com as quais vive não podem ser destruídas.

Só os que não vivem tem medo da morte.

Se, como disse Sócrates, a morte é o estado no qual nos encontramos durante o sono tornando permanente, sabemos todos qual é o estado, e sabemos que não há nada de terrível nele. E se a morte é a transferência para uma vida melhor, como pensam muitos, então a morte não é um mal, mas uma benção.

Devemos aprontar-nos para a morte, porque ela virá, mais cedo ou mais tarde. O melhor a fazer é levar uma vida boa. Quem leva uma vida boa não há de ter medo da morte."

Leon Tolstoi.